As últimas décadas foram marcadas por grandes avanços tecnológicos: impressão 3D, drones, realidade virtual, inteligência artificial, biotecnologia, nanotecnologia, machine learning, blockchain, redes sociais, 5G e tantos outros que até me esqueço.
Esses avanços trouxeram consigo a necessidade de nos adaptarmos e vivermos em um mundo bombardeado de informações. Somos mais suscetíveis à ansiedade, ao estresse, cedemos à falta de tempo e diminuímos o cuidado com a saúde bucal na correria do dia a dia.
E o que isso gerou? A síndrome do envelhecimento bucal precoce. Cada vez mais é comum encontrar pacientes com fissuras, trincas e amarelamento excessivo no dente, além de dores no maxilar.
Se esse é o seu caso, você chegou ao lugar certo! Vamos lá?
Mudança de hábitos
Costumo dizer que a minha vida há 25 anos não se parece nada com a que tenho hoje. No meu tempo de colégio, a rotina era pacata: acordava, tomava café, arrumava minhas coisas, caminhava calmamente três quilômetros para chegar na escola, estudava, almoçava, estudava novamente à tarde e voltava caminhando para reencontrar meus pais.
Celular, Instagram, WhatsApp? Simplesmente não existia. Consegue imaginar? Hoje, a rotina é outra: acordo, medito, faço meus exercícios funcionais, tomo um banho gelado e me arrumo para o trabalho.
Ao sair de casa sou bombardeado com uma tonelada de informações, lembretes, mensagens, Instagram, etc. No Uber, à caminho do trabalho, já respondi sete mensagens, enviei outros tantos áudios, liguei para dois contatos, fiz solicitações, reuniões e ainda não são nem nove horas da manhã.
Durante o restante do dia não é diferente e muitas vezes nos desligamos com os olhos vidrados em uma tela luminosa de celular. Acontece com você?
Contei essa história para lembrar que com novos hábitos chegam também novas doenças! Nos consultórios odontológicos vem surgindo o paciente que, no auge dos seus 20 ou 30 anos, tem uma boca de 40 ou 50!
Por que acontecem fissuras e trincas nos dentes?
Uma série de eventos podem contribuir para que seus dentes envelheçam antes do tempo. Falta de cuidado diário devido a correria do dia a dia, pressão exercida por bruxismo de vigília, apertamento dos dentes durante a prática de exercícios e até em momentos de maior tensão na nossa rotina.
É comum que você não perceba esse apertamento tão claramente, mas, quando fazemos força, todo nosso corpo se contrai e com os dentes não seria diferente! com frequência visualizo nesses pacientes trincas e fraturas dentais, além de amarelamento excessivo e outros males.
Como evitar dentes trincados?
Dito tudo isso, o que eu indico nos meus consultórios? Uma medida que tem obtido muito sucesso dentre os pacientes é o uso da placa esportiva Airwaav.
A Airwaav é uma placa de mordida desenvolvida nos EUA para atletas amadores e profissionais. Seu objetivo principal é fornecer uma respiração eficiente ao fazer o correto posicionamento da sua língua, além de reduzir a fadiga e promover uma redução no acúmulo de cortisol.
Contudo, seu benefício que me leva à indicação é a proteção contra o apertamento dental, o famoso “dente contra dente”, durante os momentos de esforço máximo no exercício. Ela “amortece” o impacto graças à resiliência do material que, apesar de resistente, é menos duro que o dente.
Esse fato por si só já me fez aderir ao uso da Airwaav e indicá-la aos meus pacientes, já que diversos estudiosos consideram o apertamento dental o hábito parafuncional mais agressivo para os dentes, causando fraturas e possíveis desgastes.
E acredite, o uso de uma proteção hoje é mais barato que o conserto de um dente quebrado amanhã!
Além de protegidos, meus pacientes atletas saem satisfeitos com a melhora na performance que uma respiração eficiente é capaz de gerar. Todos ganham! O que prova que podemos usar a tecnologia de forma inteligente a nosso favor.
Precisamos nos adaptar e aprender rápido com as mudanças, entender o que nos traz benefícios e agarrá-los, para que nossa saúde e nosso rendimento acompanhem os novos tempos.
E na hora de proteger os seus dentes, não conte com a sorte, conte com o melhor!
BREAK YOUR BEST!
Eduardo Barbosa A. de Oliveira
Cirurgião-dentista – UFMG
Especialista em prótese dental – FOUFMG
CEO da Tempuz saúde e bem estar – MG/Brasil
30 de maio de 2023
Referências bibliográficas
1. Soares PV, Grippo JO. Lesões cervicais não cariosas e hipersensibilidade dentária cervical: etiologia, diagnóstico e tratamento. 1. ed. São Paulo. Quintessence, 2017.
2. Soares PV, Machado AC. Hipersensibilidade dentária – guia clínico. 1. ed. Santos. Santos Publicações Ltda, 2020.
3. Grippo JO. Abfractions: A new classification of hard tissue lesions of teeth. J Esthet Dent. 1991;3.
4. Lee WC, Eakle WS. Possible role of tensile stress in the etiology of cervical erosive lesions of teeth. J Prosthet Dent. 1984;52.
5. Burke FJ, Whitehead SA, McCaughey AD. Contemporary concepts in the pathogenesis of the Class V non-carious lesion. Dental Update. 1995;22